Vírus e ameaças
Tem tido muito blah blah blah sobre essa gripe suína, mas no momento parece que não é muito mais do que uma gripe normal. É claro, tem o perigo da mutação e tal, mas isso pode acontecer com qualquer duença viral – acontecer uma mutação e o vírus se tornar mais perigoso/diferente, minando nossos já conhecidos métodos para combatê-la.
É aquela velha história de se criar um temor coletivo, para “unir” as pessoas – ou tirar a atenção de outras coisas – e então direcioná-las para onde se quer, desta forma vendendo mais jornais, elegendo certos políticos, etc.
Isso tudo e mais um artigo no blog do Roney me fez pensar nas outras “recentes ameaças virais” que tivemos (não vou nem falar das não virais, como 9/11). A última tinha sido a gripe aviária, que não deu em nada porque não se transmitia de uma pessoa para outra, só de aves para humanos, apesar da “ameaça iminente de uma mutação”, que foi tanto alardeada nos jormais. Antes desse, o vírus da moda era o da AIDS. Muitos famosos morreram e ganharam as manchetes, e anualmente dezenas de bilhões são investidos na prevenção e gastos no tratamento. Tudo correto, para uma ameaça que mata 3 milhões de pessoas por ano, sendo menos de 20% crianças. É um vírus, é uma ameaça, muitas vítimas são do primeiro mundo, famoso, etc, e tem o devido dinheiro e atenção, apesar de até hoje não se ter achado nenhuma forma de medicação que realmente previna e combata de forma eficaz vírus de uma forma geral (combate específico a um tipo de vírus existe, mas vai tudo por água abaixo na primeira mutação). Agora, existe um outro problema, muito mais grave, no sentido de que atinge mais de 15 milhões de pessoas por ano, sendo que dessas 85% são crianças: a fome. Não estou falando de desnutrição, seguir a vida “abobado” por falta de boa comida, vitaminas, minerais, etc. Estou falando de morrer de fome.
Porque não se combate a fome mais efetivamente? Solução existe, não precisa ser inventada, pesquisada, nada disso. Mas não é uma ameaça, principalmente para o primeiro mundo. Acho que nem pro terceiro propriamente dito. Isso é coisa distante, lá dá África, ou daqueles países menos desenvolvidos da Ásia. Nada que bata na nossa porta, basta apertar o botão e mudar o canal. Nada que nos ameace diretamente ou que possa nos matar ou aos nossos filhos. Por isso, segue como está. Uma vergonha.